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| Como Surge uma Miniatura |
Como é Criada uma Miniatura Anualmente centenas de miniaturas surgem no mercado, fazendo a alegria de uma grande gama de apreciadores, desde as crianças ávidas por bólidos coloridos e envenenados, aos colecionadores digamos, mais sérios, admiradores das réplicas em escala.
Todo o processo inicia-se com a escolha do modelo a ser reproduzido. Um estudo de mercado é feito tendo em mente quais modelos são desejados e procurados. Dos automóveis mais recentes, projetos de design e clássicos aos de grande significado histórico, a pesquisa indicará a expectativa de vendas do modelo, na verdade, se a vendagem cobrirá os custos do projeto e dará um retorno viável.
Existem casos em que os modelos são produzidos sob encomenda de um fabricante, onde os riscos com a vendagem são reduzidos, sendo estas versões exclusivas encontradas apenas nas revendas destas marcas. Somente após um determinado período, acertado em contrato, é que são produzidas as “séries abertas”, para a venda ao público em geral em todo o mundo. Esta forma é muito comum na Europa, principalmente entre as grandes fábricas alemãs.
Outro importante fator na escolha é que o carro possa, quando possível, ser a base para vários modelos que, como o real, teve diversas versões de rua como de competição. Isso reduz em muito os custos com novos moldes, que é a parte mais cara de todo o processo da produção.
Ainda na etapa de estudo iniciam-se as negociações para a obtenção das licenças, um fator crucial para o andamento do projeto, pois, sem o licenciamento não será possível comercializar o produto. Vale lembrar que estas licenças não são apenas para o carro mas também para os diferentes componentes, como os pneus, cintos e diversos patrocinadores nos veículos de competição.
Segundo informações obtidas do fabricante IXO, os custos com licenciamentos podem chegar à 15% do valor total de um modelo. Um número considerado razoável seria ao redor de 5% do valor de venda. Porém, existem casos em que, além dos valores pedidos por algumas marcas, elas exigem um pagamento mínimo antecipado como garantia, antes mesmo que o modelo pronto seja comercializado, o que em algumas ocasiões têm inviabilizado a utilização de determinada marca ou emblema, ou mesmo do próprio modelo.
No momento em que se decide o carro a ser produzido começa a busca por um exemplar em perfeitas condições. Muitas vezes isto é difícil quando se tratam de carros com uma produção limitada ou antigos. Uma grande preocupação com carros restaurados é observar-se atentamente se não houve uma restauração com adaptação de elementos modernos que o descaracterizaram.
Existem ocasiões em que isto é inevitável, principalmente nos carros antigos de competição, já que muitos continuam ativos em corridas de clássicos e a equipe designada para o projeto precisa levar em conta estas alterações. Não é incomum ao se analisar um modelo, encontrarem-se erros quando o fabricante baseia-se apenas no modelo restaurado, sem consulta a material fotográfico da época.
Obter um carro que esteja aguardando ser restaurado é em muitos casos uma excelente opção, pois permite observar muitos dos detalhes originais sem modificações. Plantas originais dos fabricantes, quando existentes, também são um importante aliado nesta fase.
Com o carro localizado, começa a etapa de documentação. Isto envolve várias medições, centenas de fotografias e desenhos técnicos. Em média tira-se entre 300 e 400 fotografias detalhadas para uma cobertura completa do carro. Detalhes que sejam específicos de uma marca ou versão precisam de maior atenção. Fotos mostrando detalhes das diferentes texturas e padronagens são essenciais. Isso envolve fotografias que detalhem a padronagem de bancos e estofamento, textura dos carpetes, diferentes metais usados no motor, etc.
Imagens do painel e seus controles, botões, instrumentos e equipamentos também são obtidas, inclusive a parte interior dos instrumentos para que sejam reproduzidos em filme. Visando documentar corretamente o chassi várias fotografias são tiradas e, em locais onde seja difícil obter imagens ou interpretar os detalhes, desenhos são feitos mostrando os componentes e suas medidas.
As medições são um aspecto crucial, uma vez que geralmente as fotografias são tiradas de ângulos diversos produzindo distorções, e permitem que o construtor do protótipo possa fazer seu modelo em escala corretamente.
Após a seleção das cores a serem utilizadas no modelo, faz-se uma comparação com tabelas industriais como a Munsell, Pantone ou Toyo. Caso seja preciso, serão produzidas amostras de cores específicas para a sua reprodução. De posse de todo o material, faz-se a revisão dos dados coletados e sua organização, finaliza-se a seleção das cores. Um “rascunho” é desenhado mostrando à fábrica que detalhes o modelo deverá ter (partes móveis, por exemplo) e quais materiais deverão ser usados, determinando os custos com o projeto. Estando tudo selecionado e aprovado, o projeto começa a caminhar.
O primeiro passo é a confecção manual de um modelo da carroceria. Ela ilustra todos os detalhes exteriores do carro. Verifica-se qualquer falha no formato ou detalhes, fazendo-se as correções e/ou adições necessárias. Um modelo da carroceria têm um custo ao redor de US$ 10,000.00. Na prática pode-se confeccionar este modelo em qualquer escala, mas quanto maior o tamanho, melhor o nível de detalhamento. A GMP, para seus modelos na escala 1:18, confecciona seus protótipos em 1:12, já a IXO, usa a escala 1:21,5 para produzir a sua linha em 1:43.
O protótipo é confeccionado à partir de uma duplicata do modelo inicial, que será então o “molde”, contendo todas as características do modelo à ser produzido e utilizado para a fabricação das formas. Diversos materiais podem ser usados para a confecção dos protótipos. Atualmente usa-se um tipo de resina para modelagem, mais dura que a massa para modelagem.
Novas avaliações são feitas com o protótipo, buscando-se fazer as correções necessárias e a adição de detalhes ainda nesta fase, inclusive de outras variantes que podem ser obtidas com o modelo original. Qualquer falha não detectada neste protótipo pode ocasionar correções nos moldes, o que além de aumentar os custos, provoca atrasos na produção.
Um protótipo completo, que é feito manualmente com todos os detalhes que serão vistos nos modelos finalizados, pode chegar à US$ 50,000.00. Com o avanço de softwares como o CAD e equipamentos especializados como o EDM (Electrical Discharge Machine) é certo supor que em um futuro próximo não mais será necessária a construção dos protótipos, pois alguns fabricantes já utilizam-se do processo totalmente automatizado, que leva o desenho do computador direto para o molde.
Faz-se também a escolha das cores e diferentes texturas dos componentes, e uma vez mais extremo cuidado é necessário, pois um erro na escolha de uma textura significará um molde que deverá ser retificado ou mesmo a confecção de um novo. O protótipo será então completamente desmontado para que todas as partes sejam passadas pelo pantógrafo, que fará a redução do protótipo para a escala desejada, dando início à produção dos moldes em aço.
Todas as partes são medidas com precisão, pois não pode haver falhas no momento em que os componentes do modelo forem montados. Os moldes, em aço de grande dureza, permitem a fabricação de centenas de modelos. Diferentes moldes são produzidos para as partes em metal, plástico ABS, borracha em PVC e transparências, assim os componentes são agrupados no molde específico de cada material.
A “borracha” em PVC é de fato um plástico que substitui com muitas vantagens a borracha, utilizada nos “velhos tempos”, mas que comumente se deteriora. Ainda assim, o PVC não está imune à danos provocados por reações químicas e temperatura. A construção dos moldes é a fase mais cara de todo o projeto, podendo chegar à US$ 225,000.00.
A primeira tiragem é utilizada para as avaliações iniciais, onde quaisquer falhas devem ser observadas, analisadas e corrigidas. Quanto melhor for o processo de pesquisa e documentação certamente menores serão os problemas encontrados nos modelos finalizados. Nesta fase, se forem encontrados erros que não possam ser corrigidos, o molde terá de ser modificado ou reconstruído. Após as correções necessárias uma segunda tiragem é feita para os ajustes finais.
Verifica-se também os modelos para os detalhes interiores que serão produzidos em decalque ou filme adesivado, como os diferentes mostradores e instrumentos, etiquetas nos motores, marcações de competição, emblemas, etc. Estando tudo correto com os moldes, o aço é temperado (endurecido) ficando pronto para a produção em grande escala.
Existem outros tipos de moldes utilizados na fabricação de uma miniatura, como os moldes em borracha natural e orgânica, muito utilizados na produção de figuras e pequenas peças. A fôrma, depois de fechada, é girada em uma centrífuga enquanto a liga metálica é despejada quente em um orifício no centro do molde.
Algumas séries de pré-produção são feitas para um ajuste de todas as partes e funcionamento dos componentes, com todos os modelos pintados em branco, permitindo observar mais facilmente falhas no acabamento da carroceria e fendas nos encaixes das diferentes partes. Os modelos pré-produção são então pintados e detalhados conforme as especificações, fazendo-se nesta oportunidade os ajustes nos equipamentos para a pintura e a produção das diferentes máscaras que se tornem necessárias. É neste estágio que serão produzidos os gabaritos que auxiliarão na montagem do modelo. Deve-se levar em conta que, quanto mais detalhado e intricado um modelo, maior a utilização de serviço manual em sua finalização, inclusive na pintura.
Dá-se início à produção, com a fundição das partes de metal em liga de Zamac. O Zamac é uma liga metálica, sendo seu componente principal o zinco. Deve haver inúmeras fórmulas, de acordo com a sua aplicação. A maioria delas utiliza cerca de 95% de Zinco, 0,075% de Ferro, 0,002% de Latão, 0,003% de Cádmio, 0,01 % de Cobre, 4% de Alumínio e 0,05% de Magnésio.
Na produção em grande escala, a injeção do Aamac no molde é feito por máquinas de câmara quente, onde o metal na temperatura de 470ºF é injetado sob grande pressão (de 1.500 psi à 4.500 psi, ou até mais), o que permite preencher completamente o molde entre 5 a 30 milissegundos. É provável que alguns fabricantes utilizem máquinas de câmara fria, onde a produção é menor por ter alimentação manual, mas que trabalham com maiores pressões.
Após retiradas dos moldes, as peças metálicas são aparadas, polidas em centrífugas contendo pedrinhas de cerâmica, recebem o Primer e as cores finais. As carrocerias recebem então os detalhes de acabamento exterior, em filme adesivado, decalque ou carimbo. O processo de carimbo é engenhoso, onde cada carimbo produzido em silicone imprimirá uma cor na carroceria, produzindo logomarcas, números de competição e mesmo quase todos os detalhes da pintura.
Neste equipamento a carroceria é presa firmemente à um gabarito e é conduzida aos carimbos com as cores necessárias. É um processo que precisa ser planejado cuidadosamente já que uma marca específica pode necessitar de várias etapas com carimbos em cores diferentes, tendo-se de planejar a seqüência das cores e detalhes à serem adicionados em cada fase.
Simultaneamente os outros componentes em plástico e PVC são também injetados e recebem os acabamentos específicos, como pintura de detalhes, instrumentos, e em muitos casos o material para a reprodução de carpetes e estofamentos.
Finalmente os modelos são montados, verificados, embalados e partem então para todos os cantos do mundo. É interessante lembramos também que foram produzidas as fotos, catálogos e demais materiais promocionais, assim como as embalagens específicas para o modelo que, além de cativar o potencial comprador devem garantir a integridade do produto por toda a cadeia de distribuição até chegar às mãos do comprador. É certo que, em um universo tão grande como o de fabricantes de miniaturas em metal, muitas das etapas aqui descritas podem ser realizadas de forma diferente. Existem fabricantes com uma produção extremamente limitada onde o uso da mão-de-obra qualificada e o trabalho manual são muito maiores, diferente da produção em gigantesca escala. Assim mesmo, após conhecer um pouco todo o processo envolvido, muitos observarão uma miniatura de forma diferente, não só apreciando seus detalhes, mas imaginando o longo caminho percorrido até que estivesse em suas mãos. Fonte: Hobby News |
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